I Cimeira Ibérica de Líderes em Saúde ocorreu em Évora

 

Trocar experiências, partilhar conhecimento e definir estratégias a implementar de um lado e outro da fronteira foram os objectivos da I Cimeira Ibérica de Líderes em Saúde que decorreu no passado fim-de-semana, no Hotel Convento do Espinheiro.

 A primeira edição desta iniciativa foi organizada, em parceria, pelo Fórum Hospital do Futuro e pela Fundação para a Colaboração, com o apoio da Administração Regional de Saúde do Alentejo e de várias organizações privadas.

"Esta cimeira debruçou-se sobre estratégias regionais de saúde com a finalidade de permitir um debate ibérico em torno deste sector, reunindo as principais instituições ibéricas, tanto a nível regional como nacional", explicou João Nunes de Abreu, director executivo do Fórum Hospital do Futuro.

Para este responsável, a cooperação entre ambos os países deve ser reforçada, sobretudo no período de crise que Portugal e Espanha vivem. "Este é o momento certo para encontrar saídas para os nossos problemas económicos, conseguindo-se um melhor aproveitamento de recursos de saúde pública nos dois lados da fronteira", sublinhou.

João Nunes de Abreu considerou haver muitos desperdícios, dando o exemplo do número de ambulâncias que existe de um lado e outro da fronteira. "Se tivéssemos um sistema unificado de emergência, provavelmente, seria mais eficaz", opinou, avançando que se fossem usadas e partilhadas de forma organizada "proporcionariam um melhor serviço para o cidadão porque todos pagaríamos menos impostos e teríamos igualmente bons cuidados".

Durante dois dias, estes e outros assuntos, desde os cuidados de saúde primários, hospitalares, continuados e a nova directiva dos pacientes na União Europeia foram submetidos a considerações que vão, agora, ser divulgadas junto de um número alargado de profissionais da área como forma de reforçar esta cooperação.

Nesta cimeira estiveram presentes representantes das regiões portuguesas do Centro, Alentejo e Madeira e das regiões espanholas da Extremadura, Andaluzia e Galiza, esperando as entidades organizadoras que este evento passe a ocorrer anualmente.

 

Rosa de Matos

Presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo

 "Somos uma região transfronteiriça com boas práticas em parceria e o exemplo disso são os partos que são feitos em Badajoz. Temos que partilhar e cooperar porque só assim conseguimos ganhos de saúde para as populações. Não devemos esquecer-nos que estamos numa Europa envelhecida, onde há doenças crónicas e como tal temos que dar mais qualidade de vida às pessoas e isso custa muito dinheiro. Portanto, cabe-nos, efectivamente, dar respostas em conjunto para corresponder melhor aos problemas de saúde".

 

Guillermo Fernandez Vara

Presidente da Junta da Extremadura

 "Portugal e Espanha são dois países que têm tanto em comum que é um prazer trabalhar juntos, sobretudo na definição de estratégias ao nível da saúde, um bem tão importante para todos. Esta iniciativa é muito importante por permitir uma troca muito significativa de experiências que podem ser úteis para os dois lados da fronteira. Badajoz é uma referência em termos de saúde para muitos portugueses, sobretudo para os que estão mais perto, e eu vejo isso com muita naturalidade e com satisfação. Nenhum português se sente estrangeiro em Badajoz, tal como os extremenhos não se sentem estrangeiros em Portugal".

 

Director-geral de Saúde fala em importantes avanços ibéricos

 Francisco George, director-geral de Saúde, esteve em Évora, onde afirmou que Portugal e Espanha têm trabalhado muito em conjunto, esclarecendo que "é sempre possível e desejável que se trabalhe mais, nomeadamente no que respeita à qualidade em saúde".

O responsável sublinhou que se têm verificado, recentemente, avanços no nosso país porque a Direcção-Geral de Saúde adoptou um modelo de acreditação dos cuidados de saúde primários. "Trouxemos para Portugal uma forma usada em Espanha, concebida pela Agência de Qualidade Sanitária da Andaluzia, e temos tido excelentes resultados ao nível das Unidades de Saúde Familiares (USF)", afirmou.

Actualmente, estão acreditadas três USF, em Valongo (Porto), Dafundo (Oeiras) e Viseu, "havendo também hospitais, serviços hospitalares, farmácias e outro tipo de unidades que solicitaram a adesão a este processo".

Para Francisco George, esta estratégia "é decisiva" para o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, "proporcionando melhores cuidados de saúde aos doentes".

Na acreditação são avaliadas as condições físicas do espaço, do trabalho e os resultados qualitativos dos serviços prestados. "A grande vantagem desta acreditação é a uniformização da qualidade, podendo os utentes saber que quer necessitem de ir a um local ou a outro, ambos oferecem garantias", salientou o mesmo responsável.

A Direcção-Geral de Saúde está a formar seis técnicos, em Portugal, para fazer essa acreditação, esperando que seja replicada em todas as fases dos cuidados de saúde.