Perto de cinco mil pessoas nas visitas encenadas à Sé Catedral da Guarda

A iniciativa “Passos à volta da memória - uma visita encenada à Sé Catedral da Guarda”, promovida pela Empresa Municipal Culturguarda em parceria com a Câmara Municipal, entre 7 de Junho e 31 de Agosto, contou com a participação de 4.858 pessoas.
“Esta foi a iniciativa que trouxe maior visibilidade à Sé Catedral da Guarda”, disse Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal e coordenador do projecto concretizado pela Empresa Municipal Culturguarda com o objectivo de divulgar o monumento e de atrair visitantes.
As visitas, com um total de 106 sessões, que integravam um espectáculo de teatro, encenado por Antónia Terrinha, com texto de Pedro Dias de Almeida, foram conduzidas, de forma alternada, pelos actores André Amélio e Miguel Moreira, que interpretaram a figura do cavaleiro Pedro Henrique Teles, sepultado no interior da Sé, que guiaram os visitantes pelo interior, exterior e cúpula do monumento. Durante o percurso de mais de uma hora, o cicerone contou aos participantes “histórias e segredos” sobre a Sé, templo de estilo gótico que levou cerca de 150 anos a construir (finais de século XIV até meados do século XVI).
A iniciativa que também envolveu a Diocese da Guarda e o Ministério da Cultura, através da Direcção Regional de Cultura do Centro, pelo êxito que obteve, “ultrapassou largamente as melhores expectativas da organização”, disse Américo Rodrigues na quarta-feira, dia 31 de Agosto, numa conferência de imprensa realizada em plena Praça Velha.
“Esta iniciativa foi extremamente positiva para divulgar a Sé Catedral e, ao mesmo tempo, a cidade, promovendo a cidade e dinamizando o comércio local”, observou o responsável, apontando que participaram pessoas da cidade e da região, oriundas de vários pontos do país e do estrangeiro (sobretudo do Brasil, Reino Unido, Espanha, Estados Unidos da América e França). Houve sessões em que participaram 136 pessoas, disse, reconhecendo que foi “uma grande iniciativa” de divulgação do monumento histórico. A organização também distribuiu aos visitantes o “Esboceto histórico-artístico da Sé Catedral da Guarda”, uma monografia sobre a Sé, da autoria do historiador de arte João Paulo Martins das Neves, tendo sido a procura de tal ordem “ao ponto de esgotarem os livros”.
Américo Rodrigues lembrou que a iniciativa foi organizada no âmbito do Projecto de Teatralização do Centro Histórico da Guarda, financiado em 80% por fundos comunitários. Disse que foram gastos cerca de 20 mil euros e que, atendendo ao financiamento, a autarquia gastou 4 mil euros numa iniciativa que também teve uma repercussão muito elevada na Internet e nas redes sociais, havendo “belíssimas imagens da Sé a circular por todo o Mundo”.
O responsável referiu que para o êxito da actividade contaram todas as pessoas envolvidas, desde o autor do texto, à encenadora e aos actores. “É uma ideia muito simples, muito bem trabalhada, que funciona na plenitude e pode ficar como um exemplo para o futuro e para outras iniciativas. Foi um importante contributo que a Culturguarda deu à promoção e animação da cidade”, disse.
A encenadora Antónia Torrinha, também presente no encontro, referiu que o sucesso “faz parte de uma grande equipa” e que iniciativas desta natureza “são sempre de louvar”. “Estou feliz. Correu bem. As pessoas gostaram”, declarou.
Já o vice-presidente da Câmara Municipal da Guarda, Virgílio Bento, reconheceu que a produção permitiu “atrair pessoas à cidade, para conhecerem a história da Guarda, o seu património, os espaços e as suas lendas”. “Há iniciativas que, pelo seu valor e qualidade, têm que continuar”, disse, assumindo que, no próximo ano, a 3.ª edição de “Passos à volta da memória”, será dedicada à temática da “presença judaica na Guarda”, a partir da figura de Inês, filha do Barbadão, amiga do Mestre de Avis.
Entretanto, Américo Rodrigues adiantou que também é intenção dos promotores organizarem caminhadas em direcção ao sítio arqueológico do Cabeço das Fráguas, onde existe uma inscrição rupestre em língua lusitana, seguidas de teatro. “Tudo isto tem que ser trabalhado e depois anunciado de uma forma mais rigorosa”, concluiu.

 

(in www.jornalaguarda.com)

Projecto “Passos à volta da memória” decorreu de 7 de Junho a 31 de Agosto