Uma equipa de docentes/investigadores do IPCB/Escola Superior Agrária (António Moitinho Rodrigues, Deolinda Alberto e Edgar Vaz) tem vindo a testar, desde setembro de 2012, um modelo estatístico que permite calcular um preço de referência para o leite nacional. O trabalho, encomendado em junho de 2012 pela APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, tem por objetivo fornecer à produção valores de referência para o leite nacional que possam ser utilizados nos contratos com as empresas compradoras e transformadores já a partir de 1 de abril de 2013, no âmbito do chamado “Pacote Leite da União Europeia”. Com esta medida comunitária pretende-se que os produtores tenham um contrato, com uma duração mínima de seis meses, com as empresas que lhes compram o leite.
O modelo desenvolvido pela equipa do IPCB/ESA inclui onze variáveis independentes e permite estimar o preço do leite a pagar aos produtores portugueses em função de variáveis como os preços do leite dos 5 países da União Europeia que mais leite e produtos lácteos exportam para Portugal (Alemanha, França, Holanda a Espanha e a Polónia), os preços de alguns produtos lácteos (queijo e manteiga) à saída da fábrica e os preços, no mercado nacional, de duas matérias-primas muito importantes no alimento composto (soja 44 e milho) e ainda o preço do combustível (gasóleo), que nos últimos anos tem tido uma curva ascendente.
Para o docente António Moitinho Rodrigues, também investigador do International Farm Comparison Network (IFCN), desde 2007, “o modelo agrega um conjunto de informações estatísticas que nos permite dizer que o modelo é fiável. Quando o testámos relativamente ao ano de 2010 e
Concretizando, o investigador refere que “aplicando o modelo aos preços de outubro de 2012, em que o preço médio do leite pago aos produtores nacionais foi de 30,0 cêntimos/litro, o preço mínimo a pagar pelos recolhedores/transformadores aos produtores, para assegurar a sustentabilidade da produção, deveria ter sido de 33,9 cêntimos/litro”.
(In www.ipcb.pt)