08 Abril 2026

A presidente em exercício da Junta da Extremadura, María Guardiola, anunciou a atribuição do Prémio Europeu Carlos V, na sua 19.ª edição, ao Comité das Regiões da União Europeia, em reconhecimento «pelo seu papel na construção de uma Europa mais próxima, coesa e participativa».  Durante a sua intervenção, Guardiola sublinhou que este prémio «responde a uma convição profunda: "a Europa não se constrói apenas a partir das instituições centrais. A Europa constrói-se a partir de todo o território, de cada recanto, das regiões, dos municípios e, em última análise, a partir da cidadania".

Um reconhecimento à Europa que se constrói a partir das regiões

María Guardiola explicou que o júri quis reconhecer o percurso de mais de três décadas do Comité Europeu das Regiões, destacando o seu papel fundamental na integração da voz das cidades e regiões no processo de tomada de decisões da União Europeia. Neste sentido, a presidente em exercício sublinhou que o Comité das Regiões Europeu representa, como poucas instituições, «essa Europa próxima, essa Europa tangível, real, e há mais de três décadas tem desempenhado um papel essencial, que é o de levar a voz dos municípios e das regiões ao cerne da tomada de decisões na Europa, um trabalho muitas vezes discreto, mas absolutamente indispensável». 

Este reconhecimento assume, além disso, um forte valor simbólico ao estabelecer uma ligação com as origens do próprio prémio, uma vez que, na sua primeira edição, em 1995, foi atribuído a Jacques Delors, impulsionador do Comité das Regiões Europeu e figura-chave da Europa contemporânea. 

Liderança institucional e projeção europeia

O prémio atribuído pela Fundação Academia Europeia e Ibero-americana de Yuste será recebido pela presidência do Comité das Regiões Europeu, partilhada pela húngara Kata Tütto e pelo presidente da Junta de Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, duas figuras que, segundo Guardiola, representam «uma forma de liderança baseada na moderação, no diálogo e na defesa de uma Europa que se constrói a partir dos territórios». María Guardiola sublinhou que a participação de representantes de alto nível institucional reforça o caráter e a projeção internacional do Prémio Carlos V. 

Entrega no Mosteiro de Yuste

A cerimónia de entrega terá lugar a 25 de maio de 2026 no Real Mosteiro de São Jerónimo de Yuste, na presença de Sua Majestade o Rei Filipe VI, numa cerimónia que volta a colocar a Extremadura como ponto de encontro do europeísmo. Guardiola concluiu salientando que este prémio «reconhece uma forma de entender a Europa: uma Europa mais participativa, mais democrática, mais coesa e mais próxima». A Extremadura acolhe este evento «com orgulho e com a convicção de que este prémio continua a ser hoje um símbolo de unidade, convivência, solidariedade e futuro partilhado», precisou a presidente em exercício do Executivo da Extremadura. 

Um prémio num momento crucial para a Europa

María Guardiola enquadrou a atribuição do prémio num contexto internacional marcado pela incerteza e pelos desafios globais, em que a Europa deve reafirmar o seu papel como espaço de estabilidade, democracia e cooperação. «A paz, a estabilidade e a convivência não são conquistas definitivas, mas sim responsabilidades que devemos renovar todos os dias», afirmou Guardiola. Neste cenário, a presidente em exercício da Região da Estremadura salientou que o Comité das Regiões da União Europeia demonstrou a sua capacidade de promover o diálogo, a cooperação e a integração da diversidade, reforçando a unidade europeia a partir do respeito pelas suas diferentes realidades.

O Prémio Europeu Carlos V

Este prémio distingue pessoas, organizações, projetos ou iniciativas que tenham contribuído para o conhecimento geral e a valorização dos valores culturais e históricos da Europa ou para o processo de integração da União Europeia.

O prémio é atribuído pelo Conselho de Administração da Fundação Academia Europeia de Yuste, por proposta de um júri composto por personalidades de reconhecido prestígio nos diversos domínios socioculturais da Europa, além dos próprios membros da Academia Europeia de Yuste e de antigos laureados.

A parte principal do prémio monetário do Prémio Europeu Carlos V será destinada à concessão de bolsas de estudo e à realização de atividades que levarão o nome do premiado. A parte restante será entregue ao premiado para que a utilize nos fins que este considerar convenientes.

Entre as pessoas e entidades que já receberam este prémio há personagens que já formam parta da História de Europa como Mikhail Gorvachev, Helmut Kohl, Jaques Delors, Sofia Corradi (criadora dos Programas Erasmus) ou Angela Merkel, além de ilustres portugueses como Jorge Sampaio (2004), José Manuel Durão Barroso (2014) ou António Guterres (2023).